segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nosso registo

Nosso registo!


Sexo: Feminino. É o que consta no registo.
Nascer menina, significa que provavelmente irá ser esposa, dona de casa, companheira, amante e mãe. Provavelmente assim será.
Crescemos, consciencializamo-nos para o que é normal que aconteça. É necessário namorar, casar, sermos boas esposas, respeitando e obedecendo ao nosso esposo. É a obrigação de qualquer esposa que se preze. Depois, depois há que sermos mães, não devemos esperar que a idade avance, o tempo passa a correr, não espera! Embalamos o nosso bebé, aninhamo-lo em nosso peito. Temos a vida perfeita. Fizemos o que qualquer pessoa, que em cujo registo conste sexo: Feminino, deve fazer.
Sermos submissas, submissas às regras, ao esposo e à maternidade.
É a carreira profissional destinada ao sexo feminino! Somos consideradas o sexo fraco… nada mais certo! Pois se nos submetemos ao que nos destinam, como querer fazer valer as nossas razões, para que nos vejam de uma outra forma? Nascemos mulheres, mas, ao longo da vida tornamo-nos no sexo feminino que consta no registo.
Para sermos esposas, donas de casa, companheiras, amantes e mães, termos todas estas profissões, temos que ser acima de tudo… MULHERES! Nada de sexo fraco, nada de feminino, apenas e só MULHERES! A capacidade que temos de amar, de respeitar, de nos entregar, é sublime, é dignificante.
O melhor na vida de quem nasce na condição feminina, não é ser mãe ou esposa… é isso sim, ser mulher!
Para que sejamos consideradas sexo fraco, terá que existir o sexo forte. É óbvio! É que existem registos onde consta, sexo: Masculino. São seres fortes, robustos, têm uma força corporal bruta, daí o estatuto de serem o sexo forte, nascem homens, mas, devido a essa força bruta, passam pela vida, sempre, sempre, como sendo o sexo: Masculino. É a masculinidade que os faz sentirem-se superiores… mas, somos nós, MULHERES que os deixamos vulneráveis, somos nós, “o sexo fraco”.
Eles acreditam que são superiores, que são mais fortes. Nós, tornamo-los felizes… deixamos que acreditem!


9 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim

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