sexta-feira, 5 de março de 2010

8 de Março... Dia Internacional da Mulher


Prisioneiras de liberdade?


MULHERES!
Como será… O que será a nossa futura geração? Onde, quando perdemos o orgulho de o sermos? Quando colocámos de lado a inteligência? Em que tempo nos tornamos fúteis, vazias… ansiosas na procura de uma personalidade que não a nossa? Qual a razão de nos desrespeitarmos, com atitudes que sempre nos serviram de motivo para debates, de uma luta constante pelos nossos direitos? Quando calámos as vozes das vítimas de violência doméstica?
Durante milhares de anos, perseguimos o sonho de sermos livres… autónomas. Gritámos ao mundo que escutasse a nossa voz… que a sentisse. Lutámos e ganhámos! Somos livres! Totalmente integradas na sociedade, ocupando lugares de chefia… dando azo à nossa inteligência.
Porém, olhando, observando tudo o que se passa ao meu redor, é com uma enorme tristeza que questiono… qual a razão de deixarmos de ser MULHERES? O que nos levou a transformarmo-nos, a tornarmo-nos um pouco masculinas? Seguindo, construindo para nós um padrão que nos torna pequenas… insignificantes? Somos prisioneiras da liberdade! É um facto, e embora muitas vezes o conteste, vejo-me obrigada a reconhecer que ao negligenciarmos a nossa inteligência, o nosso sentido de ponderação, ficámos muito aquém do que ambicionávamos.
Esta nossa liberdade só beneficiou o homem, evidenciou-o. Sou obrigada a reconhecer-lhe a sabedoria, a forma errada com que agiam mas, com a habilidade de o fazerem em silêncio protegendo-se nesse mesmo silêncio. Presentemente são eles as vítimas, inverteram-se os papéis. Vítimas inteligentes! Frequentemente escuto-lhes a célebre frase… “Nós não dizíamos, censuravam as nossas atitudes, e afinal, são iguais ou piores que nós… liberdade? Pois sim…”
Que pena!
Existem grandes homens, sei que sim. Mas, também sei que quem construiu esses grandes homens, sem dúvida terá sido uma grande mulher! Mulheres inteligentes que actuam em silêncio… que é o seu próprio silêncio quem se encarrega de lhes evidenciar as capacidades. Mulheres ocultas na riqueza de um estado de espírito que, dificilmente o homem conseguirá alcançar, o homem e a geração feminina que teima em perder-se na pobreza de alma que elegeram como forma de estar na vida… vencemos o homem, agora é chegada a hora de lutarmos contra nós mesmas… pelo direito de voltarmos a ser MULHERES! Mas, MULHERES FEMININAS!



Março de 2010
Antónia Serafim