segunda-feira, 25 de maio de 2015

Meu amigo desde sempre!

   O silêncio é o grande revelador! Revela-nos a que espaço, a que direção pertencemos... sábio silêncio!

   Silêncio interrompido pelo soar de um toque, toque que nos demonstra o nosso valor... valores que nos diferenciam e, ao mesmo tempo nos acordam para a realidade... a cada toque que rompe o silêncio a distância torna-se notória, significativa! Em mim impera o silêncio, desde sempre a minha realidade.
   Hoje, este meu companheiro limpou as minhas
  Hoje, este meu companheiro limpou as minhas lágrimas. Juntos, demos por encerrado mais um capítulo da minha história. Amanhã é um novo dia, dia de recomeçar... ergo a cabeça e preparo-me para a luta, uma batalha que vou vencer! Vou procurar, encontrar, reerguer-me e voltar a acreditar que, existe um outro som para além do toque, que interrompe o silêncio! Silêncio! Mais uma vez sou grata pela companhia... por tão sincera amizade. Amanheceremos juntos para mais um dia, o primeiro de uma nova caminhada.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Simplesmente porque gosto!

Gosto de gostar!
Gosto de ouvir a chuva, gosto do arco-íris. Gosto do sol, de caminhar pela praia, gosto de estar só. Gosto de conversar comigo... gosto de me escutar. Gosto de ler, de um bom filme e de ouvir música. Gosto de dar preferência aos motivos relevando as razões. Gosto de pessoas humildes que travam batalhas, que vencem ou são vencidas mas, que sempre estão. Gosto de café de cafeteira com azeitonas... gosto!  Gosto de cheiros! Cheiro de terra molhada, cheiro de bebé, de roupa acabadinha de lavar, gosto de lençóis lavados, do seu cheiro. Gosto de sentir saudade, gosto de fado... gosto de tudo o que é simples, verdadeiro... gosto de crianças! Gosto de gostar! Começo a gostar muito de mim... e, gosto!

Determinante!

   Cuidado! Se pensarmos bem, chegaremos à conclusão de que, todas as histórias são feitas de areia, numa hora estamos no auge, bem no pico da montanha, mas, basta um simples deslizar e um pouco dessa mesma história desmorona, basta que o vento sopre ligeiramente mais forte e os grãos de areia irão mover-se, movimento esse que irá com toda a certeza, mudar o rumo da nossa história. Nada poderemos fazer para o evitar, nada somos contra a força da natureza, a tempestade desencadear-se-á levando a areia, movendo os alicerces e, sem nos darmos conta, a história, aquela da qual fazemos parte modificar-se-á, repentinamente já não estamos na nossa história, olhamos em redor e nada do que nos rodeia nos é familiar. Visto a olho nu, um grão de areia parece-nos insignificante, contudo, acredito veementemente que fará toda a diferença, assim ele o queira e derrubar-nos-á, tornando a nossa como a sua história! Era uma vez, um grãozinho de areia..., iniciar-se-á desta forma a nova história.

domingo, 10 de maio de 2015

Apenas uma mulher!

   Serei apenas mais uma, uma mulher nesta cidade infinita. Permito que o tempo, que os anos passem, calada. Silenciando o coração e a alma! Percebo que, de tanto viver calada, acabei por esquecer as palavras que exprimiriam com exactidão os meus verdadeiros sentimentos, os que vivo camuflando em cada um dos meus silêncios... A falta das palavras acaba por nos tornar uns estranhos dentro da nossa própria casa, na família que visivelmente se desmorona em cada palavra que calo. Palavras que vão ficando por dizer... Estranhos sentimentos enraizados no meu viver!
   Serei, sou apenas uma mulher nesta cidade infinita...

Pressinto!

   Abraço a noite oculta no seu silêncio. Nas mãos o vazio, mãos vazias de abraços, de ternura, de espaços. A noite! Doce confidente, silêncio que me escuta que não mente... abraço a noite e pressinto que só ela sabe, só ela entende o que sinto, olho para as mãos vazias de espaços e nesse instante entrego-me ao seu abraço e novamente pressinto que, o seu silêncio é uma dádiva que divide comigo. Abraço a noite e sou amada, pressinto-o!

Antónia Serafim

sábado, 21 de agosto de 2010


O último tom…

Quantos tons existem? Quais os seus poderes? A cor, os seus tons… são quem nos demarcam, quem nos preenchem. Com toda a certeza, acredito-o plenamente!
Numa retrospectiva de toda a minha vida, de todos os passos mais importantes, mais marcantes, visualizo um arco-íris. Um arco-íris pintado pela minha mão! Não recordo que nesta minha pintura, um dia, tenha utilizado a cor rosa. Contudo, estou certa que o usei. Talvez tenha sido num tempo inocente quando, pequena, muito pequena para entender, para perspectivar o sentido da cor, lhe tenha desvalorizado a suavidade, a leveza que com toda a certeza me fascinou, inocentando-me. Com toda a certeza que o pintei… o tom da minha feminilidade!
Azul-celeste! Deste tom tenho uma vaga lembrança, a nítida recordação de um tempo em que imperava a inocência, um tempo em que tudo era tão real quanto a irrealidade que vivia. Azul-celeste! O tom dos meus sonhos!
Inesperadamente, os tons alteram-se e abruptamente, a suavidade dá lugar à agressividade. Um tom cinzento vem e instala-se! O tom que demarcou toda a minha tristeza, um tom que tentei ocultar camuflando-o de amarelo, de laranja… a necessidade de o combater, permitiu-me viver os tons que declarei serem de alegria… amarelo e laranja! Os tons da minha fantasia!
Como toda a fantasia, também a minha é derrotada ao sabor de um novo tom… o tom pintado pelas lágrimas que o sorriso disfarça. Um tom escuro, tão escuro que me amedronta, que me vence. Preto! O tom dos meus medos! Mas, e creio verdadeiramente que este mesmo tom, nutrindo por mim, se não pena, quem sabe um pouco de carinho… colocou ao meu dispor um tom violeta que me aquietou, me despertou para um tom avermelhado que me aprisionou. Presa ao sorriso, à meiguice…à ternura mais inquietante, que pode existir entre um caminhar lado a lado com os tons mais fortes, os que mais luta me deram os quais, sem sombra de dúvida, me venceram, me subjugaram à sua vontade. Violeta, vermelho! Os tons do meu romance!
Depois da tempestade… a bonança! Um tom verde abrilhanta o meu coração, enche-o de esperança, permitindo-lhe sonhar… sonhar com novos tons, cores que se misturam formando um tom que nenhum pintor conseguiu um dia alcançar. Um tom entre o dourado, o prateado e o azul que só um lindo pôr-do-sol atinge! Dourado… prateado e azul! Os tons do meu despertar!
Na calmaria que só o tempo acarreta, visita-me um outro tom, um tom desordeiro volvido pela desilusão, pelas angústias… pela saudade! Um tom vermelho tão escuro que me fala de sangue, de tristeza! Vermelho escuro! O tom da minha melancolia!
Um arco-íris! Um arco-íris pintado pela minha mão.
Só um tom a minha mão não pintou. Talvez porque se esconda, se encontre perdido no meio de tanta cor. O branco! O tom da minha paz!
No meu momento actual, o tom do qual aguardo a visita… o branco! O último tom!


17 de Agosto de 2010

Antónia Serafim

terça-feira, 4 de maio de 2010

A nossa maior virtude...

Quando as nossas capacidades provocam em nós uma mudança, quando por qualquer razão essas capacidades nos evidenciam, nos enaltecem, temos o dever de nos orgulharmos, de nos envaidecer. É certo que sim, que esses sentimentos nos preenchem, nos enriquecem. Mas, como ser humilde é uma virtude... deveremos fazê-lo com humildade!
A vida encarrega-se de nos colocar à prova. provas que habilmente superamos. Ao superar essas provas estaremos a crescer... a crescer espiritualmente, interiormente. É aqui que provamos a nossa humildade, o facto de sermos capazes, de tornarmos os nossos sonhos palpáveis não nos dá qualquer direito de nos sentirmos superiores. De uma forma ou de outra, todos nós humanos, somos feitos de virtudes e de defeitos... não existe perfeição.
Haverá quem se destaque numa ou noutra área, mas se olharmos, se nos dispusermos a observar quem nos rodeia, quem connosco convive, notaremos que todos eles se destacam, cada um, com uma capacidade diferente. E, o que para nós não importa, o que não valorizamos, por certo para outros fará toda a diferença. Esse será o principal motivo, a razão pela qual devemos respeitosamente, qualificar à nossa semelhança, todos quantos nos rodeiam... os nossos semelhantes!
Humildade! A maior das virtudes. A cada manhã, a cada início do dia teremos que obrigatoriamente, agradecer pela bênção que nos é dada... mais um dia, um dia da nossa vida, de outras vidas. E, se de facto existe, e acredito plenamente que sim, que existe, algo ou alguém que nos é superior, que nos comanda humildemente, seguir-lhe os gestos seria a melhor maneira de lhe agradecer. Superioridade adormecida, esquecida na humildade de um sorriso, de um olhar, em cada gesto contido, na beleza que é, vivermos rodeados de gente. Povos de várias raças, de várias cores... outras culturas, outras crenças, porém, não devemos nunca de esquecer que toda essa gente vem ao mundo da mesma forma que nós... nus! Despidos de roupas, de preconceitos, de orgulho, nascemos apenas e só... gente! Humildes nos nossos trajes! Trajes que a todos são comuns, iguais... a diferença, somos nós quem a fazemos ao longo da nossa caminhada, quando levianamente nos esquecemos que fazemos parte da mesma gota de vida, de esperança, que um dia, alguém teve a humildade de nos conceder... um ser magnífico que nos tornou gente... gente humilde que, sem perder a fé, continua a vir ao mundo vestida da mesma forma... vestida de amor!
Humildemente!
20 de Abril de 2010
Antónia Serafim