quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Natal!



Natal! Época de hipocrisia.
Doze meses, trezentos e sessenta e cinco dias. Tanto tempo! Dias, meses, em que o silêncio prevalece. Durante um ano, sim, porque doze meses, trezentos e sessenta e cinco dias, são um ano. Um ano em que não se desejou bom dia, não se visitou os irmãos, os amigos. Um ano em que não se dividiram alegrias, não se partilharam sorrisos. Um ano em que choramos, nos lamentamos… um ano em que vimos os nossos filhos crescer, sorrimos felizes… sozinhos, em silêncio.
Não vimos o quanto as “nossas” crianças cresceram, não ouvimos as suas graças, não lhe suavizamos as dores, nem sorrimos com elas. Um ano, tanto tempo!
Mas hoje, dia vinte e quatro de Dezembro, o ano? Não importa. Todos os vinte e quatro de Dezembro são iguais. É o tempo de sermos hipócritas!
Hoje, segue-se à risca a lista telefónica, sim a lista… quem recorda todos os números?
Seguindo a lista, para que ninguém fique de fora, felicitamos uma a uma, todas as pessoas que são “importantes”. É muito importante desejarmos um bom Natal, um Ano Novo cheio de tudo o que há de melhor… saúde, trabalho, dinheiro e felicidade.
Inexplicavelmente, a nossa voz parece não nos pertencer, está tremida, como se não conhecêssemos as palavras, como se só agora, aprendêssemos a falar, e, sem muita convicção, desejamos que todos tenham o que mais desejarem. Após todas as ligações, deveríamos de nos sentir em paz, fizemos o que manda a tradição. Mas, inevitavelmente a consciência não se aquieta, o coração fica triste, e sem nos darmos conta, já rola uma lágrima.
Um ano, tanto tempo! As vozes que escutamos não são as mesmas, também elas estão tremidas, também elas parecem não conhecer as letras… será que do outro lado, também rola uma lágrima? Que importa? Hoje não é dia para tristezas. Hoje é dia de festa, dia de oferecer um presente, para que todos vejam que não os esquecemos. Para quê telefonar, para quê andar a visitar, a tomar o tempo de cada um? O tempo, que é tão precioso! Para quê dizer que os amamos, que sentimos saudade, que nos faz falta ouvir um sorriso, que precisamos que nos escutem, que precisamos escutá-los… para quê, tudo isto? Se todos os anos, há um vinte e quatro de Dezembro!
Chegada a hora de abrir os presentes, a expectativa é enorme: o que será? Qual terá sido o valor? Um ano, sem nos oferecermos um presente, é um motivo bem forte para que ao menos agora, agora que é Natal, este seja especial. Mas, o tempo é de crise. Guardam-se os presentes que não se valorizam e frequentemente, o nosso, é o que nós oferecemos no Natal passado. Que importa? Só cumprimos a tradição, e a tradição manda oferecer um presente.
Um dia, há muito tempo atrás, alguém disse que Natal é tempo de amar. Tempo de reunir a família, confraternizar.
Nenhuma tradição é o que era! Natal é definitivamente, tempo de hipocrisia!
Vinte e quatro de Dezembro, que bom seria se fossem todos os dias. Trezentos e sessenta e cinco dias, um ano… seriam pouco, muito pouco tempo.
Natal, tempo de amor?


24 de Dezembro de 2008
Antónia Serafim

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Por quem fico…

Ao longo de toda a vida, contornei, saltei obstáculos. Umas vezes fui bem sucedida, outras nem por isso. Sozinha, chorei, desabafei o meu desespero. Depois das lágrimas veio o sorriso, a força para continuar a acreditar, acreditar nos outros, em mim, mas principalmente na vida.
Calmamente fecho os olhos, finjo não ver, não ouvir os sinais do tempo, as mensagens do coração… e sorrio. Ganho forças e luto. Mentindo a mim mesma, tento ludibriar as evidências, o que salta à vista. Disfarço de poesia a minha realidade. Pinto de verde, o meu verso em branco, porque verde é esperança. Digo que sim, que acredito! Digo que sim, que sinto força para lutar! Digo que sim, que estou viva! Digo que sim, mas minto!
Consinto que ofendam a minha inteligência, deixo que julguem que acredito em mentiras, mal disfarçadas, mal contadas. Já nem sei quem mente mais. Já nem sei quem finge mais… como queria ser cobarde! Como queria ser egoísta, e pensar em mim… apenas e só em mim! Não para sempre, por um tempo… um mês? Uma semana? Uns dias? Menos… bem menos. Umas horas… uns minutos!
Hoje, sinto que os meus braços se baixam. Não os ergo. As forças abandonam-me, o silêncio apodera-se da alma, leva-me os pensamentos. Deixo-me ir! Desisto!
Desistir? Não posso! Quem resiste ao apelo, ao pedido de carinho, no olhar de uma criança:

Vera, o calor de um colo!

Vasco, o prazer de sorrir!


Francisco, a doçura de um abraço!

Maria, o encanto da rebeldia!


Diana, a beleza da quietude!


Daniel, o carinho no sorriso! E, fico!


10 de Dezembro de 2008
Antónia Serafim

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Quem nos rouba?




Todas as noites nos sentamos à mesa, juntos partilhamos o tempo da refeição, em silêncio… os olhos fixos na TV, ou porque passa um bom jogo de futebol, ou porque o programa é “interessante”. A hipótese de uma conversa é mínima, pois a palavra que reina é “chiu”. Quando a TV, o programa “interessante” permite, a vontade, o assunto sobre o qual se tentou falar perdeu a importância e, finge-se que o esquecemos. De novo o silêncio…
Todas as noites dividimos a mesma cama, onde os corpos já não se encontram, não se procuram, a vontade, o desejo há muito que nos abandonaram, dando lugar ao silêncio. Aqui a TV também lidera e, novamente a palavra “chiu” assume o comando. São as lembranças, as saudades dos tempos vividos, tempos antigos, quando ainda sabíamos conversar, falar de amor, ou simplesmente contar pequenos detalhes do nosso dia-a-dia. São estas recordações que nos adormecem… em silêncio.
Quando um dia o corpo pede algo mais, e se lhe entrega… o gosto amargo que fica confessa-nos que estamos mortos, morremos e nem nos demos conta, e ficamos a pensar… “O que será que se passa? Será que entrou alguém em nossas vidas?” É a desculpa que encontramos para a nossa saída, não, não entrou ninguém! Fomos nós quem saímos, fomos nós quem nos ausentamos de nós mesmos, perdidos no silêncio, em silêncio. Até nos esforçamos, fazemos força mas, a lágrima não cai… mortos e secos! Ouve-se o silêncio…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pedofilia

Pedofilia…


Hoje, resolvi escrever sobre um tema que dizem ser da actualidade. Não penso que o seja mas, quem sou eu para pensar.
Fui ao dicionário, afinal é onde se vai no caso de dúvida sobre o significado de uma, ou de outra palavra. É aí que se sabe o que as palavras nos querem dizer.
São estas as palavras que procurei:
Medo - terror; receio
Pavor – espanto; terror
Terror – pavor
Receio – medo; apreensão
Pedófilo – que ou aquele que sente uma atracção sexual doentia por crianças.
Vítima – pessoa que sofre; pessoa assassinada ou maltratada.
Isto é o que diz o dicionário e, é por ele que muitos falam, falam do que lêem sobre as palavras, falam bonito, empregam o significado dessas palavras, para que, aqueles que os ouvem julguem que sabem do que falam.
Pois é, falam, falam, mas não dizem nada. Estas palavras não se conhecem, pelo dicionário. Conhecem-se sim, pelos sentidos. Infelizmente quem as conhece, não fala muito.
O dicionário de quem conhece as palavras, não diz o significado, ainda não foram encontradas outras palavras, que descrevessem os sentimentos que estas palavras carregam.
Frequentemente ouve-se dizer… o Sr. …, abusou de…, não, não sabemos quem são, as vítimas não tem nome. Elas são catalogadas por um número, dentro de uma pasta numa gaveta, de um tribunal qualquer. O pedófilo será sempre o Sr.…., a vítima… um número.
Um dia, gostava que me explicassem o que entendem por pedofilia, mas sem consultarem o dicionário de papel.
Não sabem, não é? Pois, já calculava. Ainda bem que não sabem. Então façam um favor, não se pronunciem.
Antónia Serafim

Quase... Maria!

Certamente, haverá muitas histórias de vida, histórias da vida real, que se identificam com esta que escrevi.
Devido à precoce saída da casa dos pais, muitos jovens pedem auxílio, abrigo. É junto de familiares mais próximos que o fazem; um irmão, um tio, sendo que o mais frequente são os avós.
Se por obrigação, se por parecer mal negarem ajuda, acolhem-nos, dão-lhe abrigo.
Aqui, sabendo que vivem de favor, não opinam sobre o que quer que seja, não reclamam da comida, e a roupa está óptima. Esforçam-se por agradar, ajudam nas tarefas domésticas, aceitam sorrindo o que lhes é dito em forma de censura. Por muito que se dêem, por muito que façam para que, com o seu contributo, se sintam um pouco mais à vontade, na verdade sempre se sentirão intrusos, não é aquele o seu espaço, a sua realidade. Vivem da boa vontade, da generosidade de quem os acolhe. E no fundo têm consciência disso.
Maria viveu essa experiência, a necessidade fê-la viver de favor, primeiro em casa dos tios, depois em casa de uma irmã.
Não nega que a trataram bem, que a alimentaram, vestiram e calçaram, durante o período que a abrigaram. Porém sente que fez a sua parte, deu o seu contributo, ajudou sem que fosse necessário que lho pedisse. Mas, sabe que nada do que fizesse, pagaria o bem que lhe fizeram, e agradece-lhes.
Como tios, os seus foram especiais, amigos, uns tios espectaculares! A irmã foi o que se esperaria de uma irmã. Fez o que, em sua opinião faria qualquer mãe… ambos, quer os tios, quer a irmã, dizem terem sido quase uns pais para Maria.
Assim, frequentemente Maria escuta dizerem-lhe que foram eles os seus verdadeiros pais, o tio quase um pai e a irmã quase uma mãe. O que será quase na consciência de cada um?


Quase… Maria!

Um dia dois jovens quase se encontraram, e num encontro de esperança, esperança de se apaixonarem, quase se beijaram, quase se deitaram, numa cama perfumada, de lençóis aveludados, macios. Entregues ao amor que quase sentiam, quase fizeram amor.
Desse amor que quase foi feito, quase foi gerada uma criança. Gerada de um sentimento de esperança, quase foi amada, planeada, sentida.
No ventre da jovem, quase uma vida nascia, colocando a mão na barriga, que quase crescia, essa jovem mãe quase sentia a filha viver dentro de si. E quase a amava, a desejava.
Quase felizes, aguardavam a vinda ao mundo do quase fruto do seu quase amor, da sua esperança. Quase que se amavam, estes dois jovens que um dia quase se encontraram.
Quase passados nove meses, depois de um quase encontro de amor, em que quase uma criança foi gerada, a jovem quase sente as dores do parto, quase dá à luz a sua menina, quase sente o seu pequeno corpo aninhado ao seu, procurando avidamente pelo seu peito… quase sente que a alimenta, quase sente que é o melhor momento de sua vida!
Filha da esperança de um quase encontro entre dois jovens, que quase se amaram… que quase a geraram. Quase, quase que Maria nascia! Quase… Maria!

Maria que, quase teve como pais… os tios, a irmã. Quase, quase foram pais dela… mas, quem nasce do quase? O que é quase?

1 De Outubro De 2008
Antónia Serafim

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ser mulher!

Somos feitos de virtudes e defeitos. Reconhecemos o que fazemos de bem e o que fazemos de mal. Pedimos desculpa se erramos, conforta-nos um sorriso por algo de bom que fizemos. Isto perante quem nos rodeia, perante a sociedade. E nós? Perante nós o que nos conforta, a quem pedimos desculpa?
Seguindo a lei da vida, nascemos, crescemos, casamos e temos filhos. A vida manda que assim seja. No casamento, a voz prioritária é a do homem, porque é superior, o chefe de família, alguém lhe deu este estatuto. Depois vêm os filhos, e damos tudo, relevamo-nos para terceiro plano, esquecemo-nos de nós, de nos cuidar, de nos amar. Mas, é assim que a lei diz que está certo, e lei é lei.
Um dia acordamos, olhamo-nos no espelho. A velhice chegou, o homem? Como maior autoridade tem todos os direitos, sair, conviver com os amigos encostado ao balcão de qualquer café, aqui é vê-lo rir com gosto, isento de problemas, bem-disposto, de bem com a vida. Os filhos? Ambos crescidos, vivem a vida livremente, cercados de gente jovem, entre bares e discotecas, divertindo-se porque é próprio da idade. A vida é curta, há que aproveitá-la!
E nós? As esposas, as mães? Quando pensamos ser Mulheres?
Quando iremos dar voz aos sentimentos?
Quando iremos gritar por liberdade?
Quando iremos lutar para sermos felizes? Sempre nos deixamos para depois, primeiro pelo marido, depois pelos filhos, depois porque estamos velhas… o medo de revelar o que pensamos, o que ansiamos, faz-nos ficar quietas, acomodadas. Infelizes, mas casadas. Somos esposas e mães, só esposas e mães.
Eu? Quero ser mulher!
Antónia Serafim

Pensamentos escritos em forma de poesia

Poesia


Quero ser…


Quero seguir sozinha.
Fazer o meu destino.
Voar como a andorinha.
Como ela construir o ninho.
Quero perder o medo.
Viver à minha maneira.
Deitar-me e levantar-me cedo.
Passear sempre que queira.
Quero respeitar-me.
Gostar de mim, ter dignidade.
Se amar, não vou envergonhar-me.
Se me amarem, não perder a oportunidade.
Quero ser livre.
Escrever, dançar, rir ou chorar.
Não sentir que sou alguém…que só sobrevive.
Ser como gosto… não me desarmar.
Quero dar-me.
Sem medos, sem lamentações.
Deixar que quem me rodeia… possa alcançar-me.
Errar, acertar… esquecer os perdões.
Quero ser eu.
Sem nada perder.
Dizer que a outra morreu.
Sozinha quero vencer.


Quem sou… o que sou…


Sempre que lemos algo, a nossa consciência dá-nos uma imagem, idealizamos o autor (a), ou a personagem. Dependendo do que escrevem, ou do que representam.
Raramente essa imagem corresponde à realidade, isto fisicamente, porque moralmente, emocionalmente a consciência não nos engana, quem escreve com o coração, torna-se transparente… desde, claro, que também nós que lemos, o façamos do mesmo modo; lermos com o coração.
Para aqueles que ao abrirem este site, e que dediquem um pouco do vosso tempo à leitura de um ou de outro texto da minha autoria, independentemente de ser do vosso agrado ou não, deixo desta forma registado o meu agradecimento.
Antónia Serafim? Quem é Antónia Serafim?
Falarmos sobre nós, se somos felizes ou não… se vivemos acompanhados ou sós… se somos gordos, magros, altos ou baixos… nada disto faz sentido, explicar o nosso lado físico não faz com que nos conheçam, nos idealizem. Por isso, é a escrever que vou dar-vos a conhecer o que sou; quem sou.
Em tudo o que escrevo está um pouco de mim, do meu coração, dos meus sentimentos. Basta que leiam da mesma forma… com o coração.
Escrevo livre de pretensões, nunca escrevi sobre algo que não tivesse conhecimento, de outro modo faltaria a emoção, o sentir. Com certeza (estarei aos olhos de quem lê), errada em muitos aspectos, cada um tem a sua maneira de gerir os próprios sentimentos. Esta é a minha maneira… sou o que escrevo.
Muito prazer em conhecê-los!


Antónia Serafim
Romance… o que será?

Quem não sonha com o amor? Quem não gostaria de um dia viver um doce e terno romance?
Mas um romance é isso mesmo, um romance!
É algo que se idealiza, um sonho. A ser vivido perde a pureza, a ternura, deixa de o ser. Passa a ser uma relação, e numa relação nada é idílico, eterno.
Num recanto bem guardado, quem não vive um romance? Quem não se refugia nos sonhos?
Quem não guarda para si uma linda carta de amor? Se não no papel, na lembrança… no coração!
Pior que não viver um romance é não amar, amar e ser amado, amar sem ser amado, mas amar. Amar os pais, os irmãos, amar os filhos, amar um homem, uma mulher… amar a vida. Amar um romance!
Romance é poesia!
Nos meus tempos de menina, como todas as adolescentes, também eu sonhei com o amor, o senti. Como seria a vida sem um primeiro amor? Aquele que marca, que fica para sempre guardado na recordação. Um amor que guardo com toda a ternura, com todo o carinho. Porque esse amor não foi vivido, passou a ser um romance… o meu romance!
Amar um romance, não significa amar o homem, ou a mulher. Amar um romance é amar uma bonita história de amor. A minha história de amor!