quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Por quem fico…

Ao longo de toda a vida, contornei, saltei obstáculos. Umas vezes fui bem sucedida, outras nem por isso. Sozinha, chorei, desabafei o meu desespero. Depois das lágrimas veio o sorriso, a força para continuar a acreditar, acreditar nos outros, em mim, mas principalmente na vida.
Calmamente fecho os olhos, finjo não ver, não ouvir os sinais do tempo, as mensagens do coração… e sorrio. Ganho forças e luto. Mentindo a mim mesma, tento ludibriar as evidências, o que salta à vista. Disfarço de poesia a minha realidade. Pinto de verde, o meu verso em branco, porque verde é esperança. Digo que sim, que acredito! Digo que sim, que sinto força para lutar! Digo que sim, que estou viva! Digo que sim, mas minto!
Consinto que ofendam a minha inteligência, deixo que julguem que acredito em mentiras, mal disfarçadas, mal contadas. Já nem sei quem mente mais. Já nem sei quem finge mais… como queria ser cobarde! Como queria ser egoísta, e pensar em mim… apenas e só em mim! Não para sempre, por um tempo… um mês? Uma semana? Uns dias? Menos… bem menos. Umas horas… uns minutos!
Hoje, sinto que os meus braços se baixam. Não os ergo. As forças abandonam-me, o silêncio apodera-se da alma, leva-me os pensamentos. Deixo-me ir! Desisto!
Desistir? Não posso! Quem resiste ao apelo, ao pedido de carinho, no olhar de uma criança:

Vera, o calor de um colo!

Vasco, o prazer de sorrir!


Francisco, a doçura de um abraço!

Maria, o encanto da rebeldia!


Diana, a beleza da quietude!


Daniel, o carinho no sorriso! E, fico!


10 de Dezembro de 2008
Antónia Serafim

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