domingo, 21 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Meus sorrisos… minhas lágrimas...
Quantas vezes, choro sorrindo? Quantas vezes, sorrio chorando?
Muitas vezes, fazendo uma retrospectiva do que vivi, reconhecendo os meus erros, o que fiz que não deveria ter feito ou o contrário… o que deveria ter feito e não fiz, penso: como seria se…
Sei que ninguém vive de ses, então, e porque julgo que ainda estou a tempo, porque sempre é tempo de reparar nossos erros, enxugo as lágrimas, ergo a cabeça, afasto de mim meu sentimento de pena, coloco um largo sorriso nos lábios e luto. Mais do que qualquer coisa, acima de tudo, luto contra mim mesma. Sou quem me derruba, quem me humilha e me deixa de rastos. Reconheço que sou quem tem a solução, quem tem as respostas para o que me domina… minha pena! É, minha pena é quem me dirige, quem me dá ordens.
Saber ler o olhar dos meus filhos é, para mim, o que mais importa. Lendo-lhes o olhar sei o que lhes vai na alma. Foi numa dessas leituras que me dei conta, de que, o sentimento de pena também faz parte das suas emoções, dos seus sentimentos. Como eu, também eles sorriem chorando, choram sorrindo. Mais uma vez é minha pena quem instala em seus corações um pouco de tristeza, de amargura. Sendo eles, o meu amor mais puro, o mais verdadeiro. Não quero, não posso admitir tal sentimento.
Admiração, orgulho, ternura são os sentimentos que quero ler em seus olhares, quero chorar e sorrir com eles. Para isso, reacendo a minha luz, deito fora, afasto sentimentos negativos, e sorrio… mesmo quando minha pena insiste em ficar, faço-lhe frente e sorrio. Sei que a vou vencer, fui quem lhe dei espaço, quem permitiu que se instalasse. Tomou as rédeas da minha vida e quase, quase que saía vitoriosa. Não, não vou admitir que me destrua, que destrua quem me ama! A minha melhor arma é o meu sorriso. Então, vencê-la-ei sorrindo. Sorrisos são a luz da alma!
16 de Abril de 2009
Antónia Serafim
Quantas vezes, choro sorrindo? Quantas vezes, sorrio chorando?
Muitas vezes, fazendo uma retrospectiva do que vivi, reconhecendo os meus erros, o que fiz que não deveria ter feito ou o contrário… o que deveria ter feito e não fiz, penso: como seria se…
Sei que ninguém vive de ses, então, e porque julgo que ainda estou a tempo, porque sempre é tempo de reparar nossos erros, enxugo as lágrimas, ergo a cabeça, afasto de mim meu sentimento de pena, coloco um largo sorriso nos lábios e luto. Mais do que qualquer coisa, acima de tudo, luto contra mim mesma. Sou quem me derruba, quem me humilha e me deixa de rastos. Reconheço que sou quem tem a solução, quem tem as respostas para o que me domina… minha pena! É, minha pena é quem me dirige, quem me dá ordens.
Saber ler o olhar dos meus filhos é, para mim, o que mais importa. Lendo-lhes o olhar sei o que lhes vai na alma. Foi numa dessas leituras que me dei conta, de que, o sentimento de pena também faz parte das suas emoções, dos seus sentimentos. Como eu, também eles sorriem chorando, choram sorrindo. Mais uma vez é minha pena quem instala em seus corações um pouco de tristeza, de amargura. Sendo eles, o meu amor mais puro, o mais verdadeiro. Não quero, não posso admitir tal sentimento.
Admiração, orgulho, ternura são os sentimentos que quero ler em seus olhares, quero chorar e sorrir com eles. Para isso, reacendo a minha luz, deito fora, afasto sentimentos negativos, e sorrio… mesmo quando minha pena insiste em ficar, faço-lhe frente e sorrio. Sei que a vou vencer, fui quem lhe dei espaço, quem permitiu que se instalasse. Tomou as rédeas da minha vida e quase, quase que saía vitoriosa. Não, não vou admitir que me destrua, que destrua quem me ama! A minha melhor arma é o meu sorriso. Então, vencê-la-ei sorrindo. Sorrisos são a luz da alma!
16 de Abril de 2009
Antónia Serafim
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Flores para ti…
Hoje, tomei consciência do meu egoísmo. Habitualmente sou procurada, acarinhada. Habitualmente aguardo o teu convite, o teu presente, o beijo, a força do teu abraço. Habitualmente aguardo pelo teu desejo… habitualmente.
Hoje vi, que habitualmente é tanto tempo! Tantos dias! Dias em que não sou procurada, acarinhada. Tantos dias sem um convite, um ano sem um presente, um século sem o teu beijo… uma eternidade sem o calor do teu abraço. Só o desejo vem habitualmente!
Pensei para mim mesma… e para ti, o que será habitualmente? Decerto é mais, muito mais tempo do que, habitualmente, significa para mim. Tomei consciência que ao esperar que me procures… não te procuro!
Esperando que me acarinhes… não te acarinho!
Aguardando o teu convite… não te convido!
Esperando o teu presente… não te presenteio!
Enquanto espero o teu beijo… não te beijo!
Ansiosa pela força do teu abraço… não te envolvo em meus braços!
Aguardando pelo teu desejo… escondo o meu próprio desejo!
Minto ao dizer que só hoje vi tudo isso. Não, todos os momentos em que espero, em que aguardo por ti, vejo, sinto que estou errada. Uma vida juntos! Possivelmente uma vida de espera para ti. Esperas ser procurado, acarinhado. Esperas que te convide, que te ofereça um presente, que te beije, e mesmo não sendo tão forte, esperas pelo meu abraço. Uma vida à espera do meu desejo. Não habitualmente, mas sim uma vida de espera!
Hoje és meu convidado. É para ti o beijo, o abraço. Sou quem te procura, quem te acaricia. Hoje, vais saciar o meu desejo, e adormecer no meu abraço. Hoje, vou oferecer-te um presente… flores! Podem ser rosas, malmequeres, talvez até, flores silvestres… qualquer flor que fale de amor!
Hoje, as palavras são minhas. É tempo de confessar que te amo!
Hoje, flores para ti…
26 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim
Hoje, tomei consciência do meu egoísmo. Habitualmente sou procurada, acarinhada. Habitualmente aguardo o teu convite, o teu presente, o beijo, a força do teu abraço. Habitualmente aguardo pelo teu desejo… habitualmente.
Hoje vi, que habitualmente é tanto tempo! Tantos dias! Dias em que não sou procurada, acarinhada. Tantos dias sem um convite, um ano sem um presente, um século sem o teu beijo… uma eternidade sem o calor do teu abraço. Só o desejo vem habitualmente!
Pensei para mim mesma… e para ti, o que será habitualmente? Decerto é mais, muito mais tempo do que, habitualmente, significa para mim. Tomei consciência que ao esperar que me procures… não te procuro!
Esperando que me acarinhes… não te acarinho!
Aguardando o teu convite… não te convido!
Esperando o teu presente… não te presenteio!
Enquanto espero o teu beijo… não te beijo!
Ansiosa pela força do teu abraço… não te envolvo em meus braços!
Aguardando pelo teu desejo… escondo o meu próprio desejo!
Minto ao dizer que só hoje vi tudo isso. Não, todos os momentos em que espero, em que aguardo por ti, vejo, sinto que estou errada. Uma vida juntos! Possivelmente uma vida de espera para ti. Esperas ser procurado, acarinhado. Esperas que te convide, que te ofereça um presente, que te beije, e mesmo não sendo tão forte, esperas pelo meu abraço. Uma vida à espera do meu desejo. Não habitualmente, mas sim uma vida de espera!
Hoje és meu convidado. É para ti o beijo, o abraço. Sou quem te procura, quem te acaricia. Hoje, vais saciar o meu desejo, e adormecer no meu abraço. Hoje, vou oferecer-te um presente… flores! Podem ser rosas, malmequeres, talvez até, flores silvestres… qualquer flor que fale de amor!
Hoje, as palavras são minhas. É tempo de confessar que te amo!
Hoje, flores para ti…
26 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Os meus sapatos castanhos…
Sempre escutei, quando me diziam que uma palavra magoa mais que a pancada. De facto, a vida ensinou-me que assim é, várias vezes escutei palavras que me magoaram. Mas, sempre tentei atenuar a mágoa que essas palavras me provocaram. Actualmente, com quase quarenta e seis anos, julgava que conhecia todas as diferentes maneiras de interagir perante uma ou outra revelação, que algumas palavras carregam. Interpretar o que certas palavras significam, sempre dependerá dos meus sentimentos, da forma como os consigo gerir.
Há poucos dias, uma simples palavra revelou-me o que sentem os meus sapatos castanhos, os que mantenho na prateleira do armário. Só me apercebi do quão magoados devem sentir-se, quando me colocaram na mesma situação… também eu fui colocada na prateleira, na prateleira das opções, assim como os meus sapatos castanhos. Eu, que julgava que só se podia optar por sapatos, por algumas peças de vestuário, coisas que para mim eram comuns… banais.
Agora que somos parceiros, que aguardamos pacientemente que optem por nós, agora sim, entendo o que sentem. Como fui insensível, fria, ao não ver que sofriam, que ficavam magoados de cada vez que abria a porta do armário e sendo eles uma das minhas opções, simplesmente os ignorei. Foi preciso sentir na pele, foi necessário que alguém me dissesse que, na vida temos que fazer opções e, que nunca em tempo algum, seria eu, a opção na vida dessa pessoa. Esta revelação, levou-me a pensar o quanto tenho sido cruel, para com os meus sapatos castanhos.
Jamais pensei que se pudesse optar por este ou por aquele irmão… sempre achei que ser irmão era muito, muito mais que um simples par de sapatos. Na realidade, depois desta revelação, a certeza de que na vida, só temos o valor que nós próprios nos damos! Eu? Simplesmente consenti que me colocassem na prateleira… assim, igual, como eu fiz aos meus sapatos castanhos. Que estranha ironia!
5 de Março de 2009
Antónia Serafim
Sempre escutei, quando me diziam que uma palavra magoa mais que a pancada. De facto, a vida ensinou-me que assim é, várias vezes escutei palavras que me magoaram. Mas, sempre tentei atenuar a mágoa que essas palavras me provocaram. Actualmente, com quase quarenta e seis anos, julgava que conhecia todas as diferentes maneiras de interagir perante uma ou outra revelação, que algumas palavras carregam. Interpretar o que certas palavras significam, sempre dependerá dos meus sentimentos, da forma como os consigo gerir.
Há poucos dias, uma simples palavra revelou-me o que sentem os meus sapatos castanhos, os que mantenho na prateleira do armário. Só me apercebi do quão magoados devem sentir-se, quando me colocaram na mesma situação… também eu fui colocada na prateleira, na prateleira das opções, assim como os meus sapatos castanhos. Eu, que julgava que só se podia optar por sapatos, por algumas peças de vestuário, coisas que para mim eram comuns… banais.
Agora que somos parceiros, que aguardamos pacientemente que optem por nós, agora sim, entendo o que sentem. Como fui insensível, fria, ao não ver que sofriam, que ficavam magoados de cada vez que abria a porta do armário e sendo eles uma das minhas opções, simplesmente os ignorei. Foi preciso sentir na pele, foi necessário que alguém me dissesse que, na vida temos que fazer opções e, que nunca em tempo algum, seria eu, a opção na vida dessa pessoa. Esta revelação, levou-me a pensar o quanto tenho sido cruel, para com os meus sapatos castanhos.
Jamais pensei que se pudesse optar por este ou por aquele irmão… sempre achei que ser irmão era muito, muito mais que um simples par de sapatos. Na realidade, depois desta revelação, a certeza de que na vida, só temos o valor que nós próprios nos damos! Eu? Simplesmente consenti que me colocassem na prateleira… assim, igual, como eu fiz aos meus sapatos castanhos. Que estranha ironia!
5 de Março de 2009
Antónia Serafim
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O outro lado de mim…
Magoado, decepcionado, um lado de mim vive assim. É o lado sentimental, o lado que sente o amor, o carinho, todos os afectos, todas as emoções. Calado, sozinho, vive o outro lado. É o lado da razão, o que sabe o que é certo, o que é errado. Vivem em conflito! Eu? Fico sem rumo, sem saber qual deles seguir. Quando tento seguir o meu lado mais bonito, o sentimental, prestes a embarcar em seus devaneios… sorrindo feliz, algo vem e me abana! E como se se tratasse de um ser superior, ralha-me, amedronta-me… é o meu lado mais preciso. É a razão!
Dois lados assim, fazem com que viva em dois mundos. O mundo de persianas abertas… e o outro, o de persianas fechadas.
No mundo de persianas abertas, é o meu lado da razão quem governa. Nada de sentimentos. Este lado sabe que está certo, deixa-me acomodada ao meu recanto. Em meu olhar, e porque estão abertas as persianas, os sonhos perdidos pedem abrigo, querem juntar-se ao outro meu lado, onde sabem que serão ouvidos. Mas, as persianas não cedem e, a razão dá as ordens!
Nenhum lado, quer o sentimental, quer o da razão, pode algum dia viver separado, daí a construção de dois mundos. Para que vivam em harmonia.
Recostada, fecho as persianas. Vivo o meu lado sentimental. Neste meu lado sou mais feliz, sou eu, a verdadeira. Contrariando-me, sinto que algo me falta. Falta-me tudo o que o meu lado da razão protege, tudo o que esse lado defende. Quem me entende? Sempre precisarei dos meus dois lados, mesmo que vivam magoados, mesmo que um deles viva triste, sozinho. Os dois fazem parte de mim… só os meus dois lados sou eu!
Se ao menos o lado da razão parasse, e escutasse o outro lado de mim, se tentasse entenderem-se… quem sabe eu viveria o meu sonho?
Da mesma forma, se o lado sentimental fizesse o mesmo, se parasse e escutasse o outro lado de mim, o lado da razão e, desta forma se entendessem… quem sabe eu viveria no sonho de alguém?
Fico-me pelo mundo das persianas, abertas ou fechadas são quem comanda, quem dita as regras. Sempre dependerei do outro lado de mim!
19 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim
Magoado, decepcionado, um lado de mim vive assim. É o lado sentimental, o lado que sente o amor, o carinho, todos os afectos, todas as emoções. Calado, sozinho, vive o outro lado. É o lado da razão, o que sabe o que é certo, o que é errado. Vivem em conflito! Eu? Fico sem rumo, sem saber qual deles seguir. Quando tento seguir o meu lado mais bonito, o sentimental, prestes a embarcar em seus devaneios… sorrindo feliz, algo vem e me abana! E como se se tratasse de um ser superior, ralha-me, amedronta-me… é o meu lado mais preciso. É a razão!
Dois lados assim, fazem com que viva em dois mundos. O mundo de persianas abertas… e o outro, o de persianas fechadas.
No mundo de persianas abertas, é o meu lado da razão quem governa. Nada de sentimentos. Este lado sabe que está certo, deixa-me acomodada ao meu recanto. Em meu olhar, e porque estão abertas as persianas, os sonhos perdidos pedem abrigo, querem juntar-se ao outro meu lado, onde sabem que serão ouvidos. Mas, as persianas não cedem e, a razão dá as ordens!
Nenhum lado, quer o sentimental, quer o da razão, pode algum dia viver separado, daí a construção de dois mundos. Para que vivam em harmonia.
Recostada, fecho as persianas. Vivo o meu lado sentimental. Neste meu lado sou mais feliz, sou eu, a verdadeira. Contrariando-me, sinto que algo me falta. Falta-me tudo o que o meu lado da razão protege, tudo o que esse lado defende. Quem me entende? Sempre precisarei dos meus dois lados, mesmo que vivam magoados, mesmo que um deles viva triste, sozinho. Os dois fazem parte de mim… só os meus dois lados sou eu!
Se ao menos o lado da razão parasse, e escutasse o outro lado de mim, se tentasse entenderem-se… quem sabe eu viveria o meu sonho?
Da mesma forma, se o lado sentimental fizesse o mesmo, se parasse e escutasse o outro lado de mim, o lado da razão e, desta forma se entendessem… quem sabe eu viveria no sonho de alguém?
Fico-me pelo mundo das persianas, abertas ou fechadas são quem comanda, quem dita as regras. Sempre dependerei do outro lado de mim!
19 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Sábios Silêncios!
Sábios silêncios!
Sábio, muito mais que qualquer palavra… é o silêncio.
Nossos silêncios são quem melhor nos conhece, quem mais sabe de nós. Se amamos, não são necessárias palavras. Os sentimentos revelam-se no silêncio de um olhar, de um beijo, em cada entrega silenciosa. Nenhuma palavra exprimiria com tanta exactidão o que vai em nossos corações. Silêncios que tudo dizem, que nos revelam.
Não só de amor fala o silêncio. Quando, esse mesmo amor amorna, quando se esvai, como água por entre os dedos. Por mais palavras que se diga, que se escute… nenhuma tem o poder, a verdade que o silêncio contém e, é também aqui que o silêncio nos alerta, nos sacode para a nova realidade.
Somos um livro escrito de silêncios. Todos nos lemos, deixando para trás páginas dessa leitura que, por serem tão verdadeiras, por tanto saberem de nós, nos maltratam, nos magoam. Livros, leituras são isso mesmo… é a possibilidade de passar à frente ou voltar atrás, onde o silêncio é preterido em favor das palavras. Palavras que mentem. Mas, que, de tão bonitas que são, criam em nós a ilusão de que o silêncio se cala, que já não o escutamos… leituras num livro escrito de silêncios. De sábios silêncios!
É o silêncio que me fala de saudade, de amor, é quem me fala sobre toda a minha realidade. A verdade dos sentimentos, o que represento para quem me rodeia… quais os sentimentos que essas pessoas nutrem por mim. Tudo o que essas mesmas pessoas significam para mim. Não as palavras, só o silêncio tem esse poder, só ele é verdadeiro.
Muitas vezes, floreio meus sentimentos com lindas palavras, tento que falem mais alto, que abafem o som que me ensurdece, que me fere. Palavra colorida que, à semelhança de um jardim perfumado, me deixa a leste de mim mesma. Consciente ou inconscientemente, abafo o segredo que o silêncio me revela. Faço de conta e, até sinto o perfume que exala da palavra. É num recanto escondido que adormeço meus sábios silêncios. Não ignoro que posso retirar-lhe a voz, todos os seus sons, mas, nunca a sua sabedoria!
Fico-me pelas palavras. Sei que mentem, mas, são tão mais bonitas, com elas vivo minha fantasia, aquela, que o silêncio não me permite.
27 de Maio de 2009
Antónia Serafim
Sábio, muito mais que qualquer palavra… é o silêncio.
Nossos silêncios são quem melhor nos conhece, quem mais sabe de nós. Se amamos, não são necessárias palavras. Os sentimentos revelam-se no silêncio de um olhar, de um beijo, em cada entrega silenciosa. Nenhuma palavra exprimiria com tanta exactidão o que vai em nossos corações. Silêncios que tudo dizem, que nos revelam.
Não só de amor fala o silêncio. Quando, esse mesmo amor amorna, quando se esvai, como água por entre os dedos. Por mais palavras que se diga, que se escute… nenhuma tem o poder, a verdade que o silêncio contém e, é também aqui que o silêncio nos alerta, nos sacode para a nova realidade.
Somos um livro escrito de silêncios. Todos nos lemos, deixando para trás páginas dessa leitura que, por serem tão verdadeiras, por tanto saberem de nós, nos maltratam, nos magoam. Livros, leituras são isso mesmo… é a possibilidade de passar à frente ou voltar atrás, onde o silêncio é preterido em favor das palavras. Palavras que mentem. Mas, que, de tão bonitas que são, criam em nós a ilusão de que o silêncio se cala, que já não o escutamos… leituras num livro escrito de silêncios. De sábios silêncios!
É o silêncio que me fala de saudade, de amor, é quem me fala sobre toda a minha realidade. A verdade dos sentimentos, o que represento para quem me rodeia… quais os sentimentos que essas pessoas nutrem por mim. Tudo o que essas mesmas pessoas significam para mim. Não as palavras, só o silêncio tem esse poder, só ele é verdadeiro.
Muitas vezes, floreio meus sentimentos com lindas palavras, tento que falem mais alto, que abafem o som que me ensurdece, que me fere. Palavra colorida que, à semelhança de um jardim perfumado, me deixa a leste de mim mesma. Consciente ou inconscientemente, abafo o segredo que o silêncio me revela. Faço de conta e, até sinto o perfume que exala da palavra. É num recanto escondido que adormeço meus sábios silêncios. Não ignoro que posso retirar-lhe a voz, todos os seus sons, mas, nunca a sua sabedoria!
Fico-me pelas palavras. Sei que mentem, mas, são tão mais bonitas, com elas vivo minha fantasia, aquela, que o silêncio não me permite.
27 de Maio de 2009
Antónia Serafim
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Nosso registo
Nosso registo!
Sexo: Feminino. É o que consta no registo.
Nascer menina, significa que provavelmente irá ser esposa, dona de casa, companheira, amante e mãe. Provavelmente assim será.
Crescemos, consciencializamo-nos para o que é normal que aconteça. É necessário namorar, casar, sermos boas esposas, respeitando e obedecendo ao nosso esposo. É a obrigação de qualquer esposa que se preze. Depois, depois há que sermos mães, não devemos esperar que a idade avance, o tempo passa a correr, não espera! Embalamos o nosso bebé, aninhamo-lo em nosso peito. Temos a vida perfeita. Fizemos o que qualquer pessoa, que em cujo registo conste sexo: Feminino, deve fazer.
Sermos submissas, submissas às regras, ao esposo e à maternidade.
É a carreira profissional destinada ao sexo feminino! Somos consideradas o sexo fraco… nada mais certo! Pois se nos submetemos ao que nos destinam, como querer fazer valer as nossas razões, para que nos vejam de uma outra forma? Nascemos mulheres, mas, ao longo da vida tornamo-nos no sexo feminino que consta no registo.
Para sermos esposas, donas de casa, companheiras, amantes e mães, termos todas estas profissões, temos que ser acima de tudo… MULHERES! Nada de sexo fraco, nada de feminino, apenas e só MULHERES! A capacidade que temos de amar, de respeitar, de nos entregar, é sublime, é dignificante.
O melhor na vida de quem nasce na condição feminina, não é ser mãe ou esposa… é isso sim, ser mulher!
Para que sejamos consideradas sexo fraco, terá que existir o sexo forte. É óbvio! É que existem registos onde consta, sexo: Masculino. São seres fortes, robustos, têm uma força corporal bruta, daí o estatuto de serem o sexo forte, nascem homens, mas, devido a essa força bruta, passam pela vida, sempre, sempre, como sendo o sexo: Masculino. É a masculinidade que os faz sentirem-se superiores… mas, somos nós, MULHERES que os deixamos vulneráveis, somos nós, “o sexo fraco”.
Eles acreditam que são superiores, que são mais fortes. Nós, tornamo-los felizes… deixamos que acreditem!
9 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim
Sexo: Feminino. É o que consta no registo.
Nascer menina, significa que provavelmente irá ser esposa, dona de casa, companheira, amante e mãe. Provavelmente assim será.
Crescemos, consciencializamo-nos para o que é normal que aconteça. É necessário namorar, casar, sermos boas esposas, respeitando e obedecendo ao nosso esposo. É a obrigação de qualquer esposa que se preze. Depois, depois há que sermos mães, não devemos esperar que a idade avance, o tempo passa a correr, não espera! Embalamos o nosso bebé, aninhamo-lo em nosso peito. Temos a vida perfeita. Fizemos o que qualquer pessoa, que em cujo registo conste sexo: Feminino, deve fazer.
Sermos submissas, submissas às regras, ao esposo e à maternidade.
É a carreira profissional destinada ao sexo feminino! Somos consideradas o sexo fraco… nada mais certo! Pois se nos submetemos ao que nos destinam, como querer fazer valer as nossas razões, para que nos vejam de uma outra forma? Nascemos mulheres, mas, ao longo da vida tornamo-nos no sexo feminino que consta no registo.
Para sermos esposas, donas de casa, companheiras, amantes e mães, termos todas estas profissões, temos que ser acima de tudo… MULHERES! Nada de sexo fraco, nada de feminino, apenas e só MULHERES! A capacidade que temos de amar, de respeitar, de nos entregar, é sublime, é dignificante.
O melhor na vida de quem nasce na condição feminina, não é ser mãe ou esposa… é isso sim, ser mulher!
Para que sejamos consideradas sexo fraco, terá que existir o sexo forte. É óbvio! É que existem registos onde consta, sexo: Masculino. São seres fortes, robustos, têm uma força corporal bruta, daí o estatuto de serem o sexo forte, nascem homens, mas, devido a essa força bruta, passam pela vida, sempre, sempre, como sendo o sexo: Masculino. É a masculinidade que os faz sentirem-se superiores… mas, somos nós, MULHERES que os deixamos vulneráveis, somos nós, “o sexo fraco”.
Eles acreditam que são superiores, que são mais fortes. Nós, tornamo-los felizes… deixamos que acreditem!
9 de Janeiro de 2009
Antónia Serafim
Se tu me procurasses...
Se tu me procurasses…
Se tu me procurasses.
Se me viesses ver.
À tardinha de um dia qualquer.
Se me apertasses nos teus braços
Se me prendesses no teu sorriso.
Em cada noite que chega…
A cada dia que se avizinha.
Todos os sons me lembram… o som dos teus passos.
Do teu sorriso.
Em todos os gestos… o toque dos teus dedos.
Os teus abraços.
A cada raio de sol… o calor dos teus beijos.
Das tuas mãos em mim.
A tua boca na minha boca… na pele.
Fecho os olhos e penso…
Que bom seria!
Se me procurasses.
Se me viesses ver.
À tardinha de um dia qualquer.
Se tu me procurasses.
Se me viesses ver.
À tardinha de um dia qualquer.
Se me apertasses nos teus braços
Se me prendesses no teu sorriso.
Em cada noite que chega…
A cada dia que se avizinha.
Todos os sons me lembram… o som dos teus passos.
Do teu sorriso.
Em todos os gestos… o toque dos teus dedos.
Os teus abraços.
A cada raio de sol… o calor dos teus beijos.
Das tuas mãos em mim.
A tua boca na minha boca… na pele.
Fecho os olhos e penso…
Que bom seria!
Se me procurasses.
Se me viesses ver.
À tardinha de um dia qualquer.
E continuo a sonhar...
E, continuo a sonhar!
Eu, que julgava que sabia de tudo… persegue-me uma questão…
Quem decidiu o meu destino?
Apesar de sempre existir uma sombra no meu sorriso, e um mundo de saudade no meu olhar, apesar de tudo isto… continuo a sonhar!
As lembranças deixam-me triste, de novo, chega a vontade de chorar. Não domino os sentimentos, e sigo trilhando um caminho, aquele mesmo caminho onde muita gente triste já passou.
Eu, que julgava que sabia de tudo… descobri que, quem não sabe de amor, sabe muito mais do que eu!
E, num olhar mais profundo, reconheço que as nossas presenças estão mais, muito mais ausentes. Um jeito de quem ama. Mas, o medo não permite falar de amor. Por mais que eu queira, por mais que tente, o silêncio não deixa que esqueça, este amor que teima em ficar. Tristemente, convenço-me que são delírios do coração… provocados pela saudade, pela solidão.
Em tudo o que já mudou, o sonho que no caminho ficou, deixou em mim a certeza de que… quem menos sabe de tudo… sabe bem mais do que eu!
Hoje, aqui sozinha em silêncio, penso em todos os passos descuidados, procurando os meus sonhos passados, passeando na rua escura, sentindo o vento soprando tão frio… sem conseguir percorrer a distância, porque a saudade me deixa este vazio… eu, que julguei que de quase tudo sabia…
É o desencanto de esperar, que me diz que não devo, não quero continuar a sonhar.
Ah! Se eu pudesse, esqueceria a noite, o frio, e a sonhar sonharia.
Todas as frases vazias, sentimentos que não posso, não quero contestar, pensamentos que me revelam lugares onde não quero ficar… mais uma vez a certeza… que quem não sabe de amor, sabe muito mais do que eu!
E, eu que julgava que sabia de tudo…
Mas, uma força superior, vinda de onde? Não sei! Só sei que me consegue alcançar. Essa força que diz que o único, o melhor de todos os sonhos é o que nos permite sonhar!
Como pude pensar que sabia de tudo? Como pude julgar que, quem não sabe de amor sabe menos que eu?
A ironia da vida, os passos do meu destino, fizeram-me acreditar… que a vida pode ser um sonho, desde que a vivamos a sonhar.
E, continuo a sonhar! Vagueando na noite mais linda, noite limpa, de luar. A Lua! Testemunha tão vulgar!
15 de Novembro de 2009
Antónia Serafim
Eu, que julgava que sabia de tudo… persegue-me uma questão…
Quem decidiu o meu destino?
Apesar de sempre existir uma sombra no meu sorriso, e um mundo de saudade no meu olhar, apesar de tudo isto… continuo a sonhar!
As lembranças deixam-me triste, de novo, chega a vontade de chorar. Não domino os sentimentos, e sigo trilhando um caminho, aquele mesmo caminho onde muita gente triste já passou.
Eu, que julgava que sabia de tudo… descobri que, quem não sabe de amor, sabe muito mais do que eu!
E, num olhar mais profundo, reconheço que as nossas presenças estão mais, muito mais ausentes. Um jeito de quem ama. Mas, o medo não permite falar de amor. Por mais que eu queira, por mais que tente, o silêncio não deixa que esqueça, este amor que teima em ficar. Tristemente, convenço-me que são delírios do coração… provocados pela saudade, pela solidão.
Em tudo o que já mudou, o sonho que no caminho ficou, deixou em mim a certeza de que… quem menos sabe de tudo… sabe bem mais do que eu!
Hoje, aqui sozinha em silêncio, penso em todos os passos descuidados, procurando os meus sonhos passados, passeando na rua escura, sentindo o vento soprando tão frio… sem conseguir percorrer a distância, porque a saudade me deixa este vazio… eu, que julguei que de quase tudo sabia…
É o desencanto de esperar, que me diz que não devo, não quero continuar a sonhar.
Ah! Se eu pudesse, esqueceria a noite, o frio, e a sonhar sonharia.
Todas as frases vazias, sentimentos que não posso, não quero contestar, pensamentos que me revelam lugares onde não quero ficar… mais uma vez a certeza… que quem não sabe de amor, sabe muito mais do que eu!
E, eu que julgava que sabia de tudo…
Mas, uma força superior, vinda de onde? Não sei! Só sei que me consegue alcançar. Essa força que diz que o único, o melhor de todos os sonhos é o que nos permite sonhar!
Como pude pensar que sabia de tudo? Como pude julgar que, quem não sabe de amor sabe menos que eu?
A ironia da vida, os passos do meu destino, fizeram-me acreditar… que a vida pode ser um sonho, desde que a vivamos a sonhar.
E, continuo a sonhar! Vagueando na noite mais linda, noite limpa, de luar. A Lua! Testemunha tão vulgar!
15 de Novembro de 2009
Antónia Serafim
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