sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


Meus sorrisos… minhas lágrimas...


Quantas vezes, choro sorrindo? Quantas vezes, sorrio chorando?
Muitas vezes, fazendo uma retrospectiva do que vivi, reconhecendo os meus erros, o que fiz que não deveria ter feito ou o contrário… o que deveria ter feito e não fiz, penso: como seria se…
Sei que ninguém vive de ses, então, e porque julgo que ainda estou a tempo, porque sempre é tempo de reparar nossos erros, enxugo as lágrimas, ergo a cabeça, afasto de mim meu sentimento de pena, coloco um largo sorriso nos lábios e luto. Mais do que qualquer coisa, acima de tudo, luto contra mim mesma. Sou quem me derruba, quem me humilha e me deixa de rastos. Reconheço que sou quem tem a solução, quem tem as respostas para o que me domina… minha pena! É, minha pena é quem me dirige, quem me dá ordens.
Saber ler o olhar dos meus filhos é, para mim, o que mais importa. Lendo-lhes o olhar sei o que lhes vai na alma. Foi numa dessas leituras que me dei conta, de que, o sentimento de pena também faz parte das suas emoções, dos seus sentimentos. Como eu, também eles sorriem chorando, choram sorrindo. Mais uma vez é minha pena quem instala em seus corações um pouco de tristeza, de amargura. Sendo eles, o meu amor mais puro, o mais verdadeiro. Não quero, não posso admitir tal sentimento.
Admiração, orgulho, ternura são os sentimentos que quero ler em seus olhares, quero chorar e sorrir com eles. Para isso, reacendo a minha luz, deito fora, afasto sentimentos negativos, e sorrio… mesmo quando minha pena insiste em ficar, faço-lhe frente e sorrio. Sei que a vou vencer, fui quem lhe dei espaço, quem permitiu que se instalasse. Tomou as rédeas da minha vida e quase, quase que saía vitoriosa. Não, não vou admitir que me destrua, que destrua quem me ama! A minha melhor arma é o meu sorriso. Então, vencê-la-ei sorrindo. Sorrisos são a luz da alma!


16 de Abril de 2009
Antónia Serafim

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