Certamente, haverá muitas histórias de vida, histórias da vida real, que se identificam com esta que escrevi.
Devido à precoce saída da casa dos pais, muitos jovens pedem auxílio, abrigo. É junto de familiares mais próximos que o fazem; um irmão, um tio, sendo que o mais frequente são os avós.
Se por obrigação, se por parecer mal negarem ajuda, acolhem-nos, dão-lhe abrigo.
Aqui, sabendo que vivem de favor, não opinam sobre o que quer que seja, não reclamam da comida, e a roupa está óptima. Esforçam-se por agradar, ajudam nas tarefas domésticas, aceitam sorrindo o que lhes é dito em forma de censura. Por muito que se dêem, por muito que façam para que, com o seu contributo, se sintam um pouco mais à vontade, na verdade sempre se sentirão intrusos, não é aquele o seu espaço, a sua realidade. Vivem da boa vontade, da generosidade de quem os acolhe. E no fundo têm consciência disso.
Maria viveu essa experiência, a necessidade fê-la viver de favor, primeiro em casa dos tios, depois em casa de uma irmã.
Não nega que a trataram bem, que a alimentaram, vestiram e calçaram, durante o período que a abrigaram. Porém sente que fez a sua parte, deu o seu contributo, ajudou sem que fosse necessário que lho pedisse. Mas, sabe que nada do que fizesse, pagaria o bem que lhe fizeram, e agradece-lhes.
Como tios, os seus foram especiais, amigos, uns tios espectaculares! A irmã foi o que se esperaria de uma irmã. Fez o que, em sua opinião faria qualquer mãe… ambos, quer os tios, quer a irmã, dizem terem sido quase uns pais para Maria.
Assim, frequentemente Maria escuta dizerem-lhe que foram eles os seus verdadeiros pais, o tio quase um pai e a irmã quase uma mãe. O que será quase na consciência de cada um?
Quase… Maria!
Um dia dois jovens quase se encontraram, e num encontro de esperança, esperança de se apaixonarem, quase se beijaram, quase se deitaram, numa cama perfumada, de lençóis aveludados, macios. Entregues ao amor que quase sentiam, quase fizeram amor.
Desse amor que quase foi feito, quase foi gerada uma criança. Gerada de um sentimento de esperança, quase foi amada, planeada, sentida.
No ventre da jovem, quase uma vida nascia, colocando a mão na barriga, que quase crescia, essa jovem mãe quase sentia a filha viver dentro de si. E quase a amava, a desejava.
Quase felizes, aguardavam a vinda ao mundo do quase fruto do seu quase amor, da sua esperança. Quase que se amavam, estes dois jovens que um dia quase se encontraram.
Quase passados nove meses, depois de um quase encontro de amor, em que quase uma criança foi gerada, a jovem quase sente as dores do parto, quase dá à luz a sua menina, quase sente o seu pequeno corpo aninhado ao seu, procurando avidamente pelo seu peito… quase sente que a alimenta, quase sente que é o melhor momento de sua vida!
Filha da esperança de um quase encontro entre dois jovens, que quase se amaram… que quase a geraram. Quase, quase que Maria nascia! Quase… Maria!
Maria que, quase teve como pais… os tios, a irmã. Quase, quase foram pais dela… mas, quem nasce do quase? O que é quase?
1 De Outubro De 2008
Antónia Serafim
Devido à precoce saída da casa dos pais, muitos jovens pedem auxílio, abrigo. É junto de familiares mais próximos que o fazem; um irmão, um tio, sendo que o mais frequente são os avós.
Se por obrigação, se por parecer mal negarem ajuda, acolhem-nos, dão-lhe abrigo.
Aqui, sabendo que vivem de favor, não opinam sobre o que quer que seja, não reclamam da comida, e a roupa está óptima. Esforçam-se por agradar, ajudam nas tarefas domésticas, aceitam sorrindo o que lhes é dito em forma de censura. Por muito que se dêem, por muito que façam para que, com o seu contributo, se sintam um pouco mais à vontade, na verdade sempre se sentirão intrusos, não é aquele o seu espaço, a sua realidade. Vivem da boa vontade, da generosidade de quem os acolhe. E no fundo têm consciência disso.
Maria viveu essa experiência, a necessidade fê-la viver de favor, primeiro em casa dos tios, depois em casa de uma irmã.
Não nega que a trataram bem, que a alimentaram, vestiram e calçaram, durante o período que a abrigaram. Porém sente que fez a sua parte, deu o seu contributo, ajudou sem que fosse necessário que lho pedisse. Mas, sabe que nada do que fizesse, pagaria o bem que lhe fizeram, e agradece-lhes.
Como tios, os seus foram especiais, amigos, uns tios espectaculares! A irmã foi o que se esperaria de uma irmã. Fez o que, em sua opinião faria qualquer mãe… ambos, quer os tios, quer a irmã, dizem terem sido quase uns pais para Maria.
Assim, frequentemente Maria escuta dizerem-lhe que foram eles os seus verdadeiros pais, o tio quase um pai e a irmã quase uma mãe. O que será quase na consciência de cada um?
Quase… Maria!
Um dia dois jovens quase se encontraram, e num encontro de esperança, esperança de se apaixonarem, quase se beijaram, quase se deitaram, numa cama perfumada, de lençóis aveludados, macios. Entregues ao amor que quase sentiam, quase fizeram amor.
Desse amor que quase foi feito, quase foi gerada uma criança. Gerada de um sentimento de esperança, quase foi amada, planeada, sentida.
No ventre da jovem, quase uma vida nascia, colocando a mão na barriga, que quase crescia, essa jovem mãe quase sentia a filha viver dentro de si. E quase a amava, a desejava.
Quase felizes, aguardavam a vinda ao mundo do quase fruto do seu quase amor, da sua esperança. Quase que se amavam, estes dois jovens que um dia quase se encontraram.
Quase passados nove meses, depois de um quase encontro de amor, em que quase uma criança foi gerada, a jovem quase sente as dores do parto, quase dá à luz a sua menina, quase sente o seu pequeno corpo aninhado ao seu, procurando avidamente pelo seu peito… quase sente que a alimenta, quase sente que é o melhor momento de sua vida!
Filha da esperança de um quase encontro entre dois jovens, que quase se amaram… que quase a geraram. Quase, quase que Maria nascia! Quase… Maria!
Maria que, quase teve como pais… os tios, a irmã. Quase, quase foram pais dela… mas, quem nasce do quase? O que é quase?
1 De Outubro De 2008
Antónia Serafim
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