Somos feitos de virtudes e defeitos. Reconhecemos o que fazemos de bem e o que fazemos de mal. Pedimos desculpa se erramos, conforta-nos um sorriso por algo de bom que fizemos. Isto perante quem nos rodeia, perante a sociedade. E nós? Perante nós o que nos conforta, a quem pedimos desculpa?
Seguindo a lei da vida, nascemos, crescemos, casamos e temos filhos. A vida manda que assim seja. No casamento, a voz prioritária é a do homem, porque é superior, o chefe de família, alguém lhe deu este estatuto. Depois vêm os filhos, e damos tudo, relevamo-nos para terceiro plano, esquecemo-nos de nós, de nos cuidar, de nos amar. Mas, é assim que a lei diz que está certo, e lei é lei.
Um dia acordamos, olhamo-nos no espelho. A velhice chegou, o homem? Como maior autoridade tem todos os direitos, sair, conviver com os amigos encostado ao balcão de qualquer café, aqui é vê-lo rir com gosto, isento de problemas, bem-disposto, de bem com a vida. Os filhos? Ambos crescidos, vivem a vida livremente, cercados de gente jovem, entre bares e discotecas, divertindo-se porque é próprio da idade. A vida é curta, há que aproveitá-la!
E nós? As esposas, as mães? Quando pensamos ser Mulheres?
Quando iremos dar voz aos sentimentos?
Quando iremos gritar por liberdade?
Quando iremos lutar para sermos felizes? Sempre nos deixamos para depois, primeiro pelo marido, depois pelos filhos, depois porque estamos velhas… o medo de revelar o que pensamos, o que ansiamos, faz-nos ficar quietas, acomodadas. Infelizes, mas casadas. Somos esposas e mães, só esposas e mães.
Eu? Quero ser mulher!
Antónia Serafim
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Ser mulher!
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