O que me limita…
Ser mulher!
Condição, que me limita.
Ser mãe!
Amor, que me limita.
Ser esposa!
Opção, que me limita.
Limita os meus desejos, a liberdade, a coragem. Só o pensamento não se limita, não se prende, só ele conhece os desejos, só ele corre livre, só ele tem a coragem… só, o pensamento!
Quisera sair na noite, desvendar-lhe os mistérios.
Quisera erguer o Sol, roubar-lhe um pouco de brilho.
Quisera subir a montanha, no seu topo soltar o meu grito.
Quisera adormecer no mar, no seu balouçar deixar-me levar.
Quisera seguir o vento, ao seu lado viajar.
Quisera escutar a voz, que me diz: “ Sai, vai ser feliz”.
Quisera ser indiferente, com coragem… cobardemente.
Quisera se eu, sentir que sou gente.
Quisera… quisera…
Nascer mulher! Nascer limitada. Limitada à sociedade, limitada às opções, limitada às regras.
Ser mãe! Dar à luz mais limites. Limitar-se ao amor, limitar-se às necessidades, limitar-se ao limite.
Ser esposa! O pior dos limites. Limitar a nossa vontade, limitar os nossos passos, limitar os anseios, limitar devaneios. Limitar-nos ao tempo, ao espaço, à “superioridade”. Limitar a lágrima, limitar o sorriso… limitar nosso brilho.
Sinto que o limite me trai. O meu próprio limite, já impõe mais limites.
Queria ser inconsciente! Agir sem pensar. Banalizar meus limites, enriquecer a minha condição, amar, sem amor limitado, optar por um sonho ilimitado.
Limita-me a dignidade!
Limita-me a maternidade!
Limita-me a lealdade!
Mulher… limitada!
23 de Dezembro de 2008
Antónia Serafim
Ser mulher!
Condição, que me limita.
Ser mãe!
Amor, que me limita.
Ser esposa!
Opção, que me limita.
Limita os meus desejos, a liberdade, a coragem. Só o pensamento não se limita, não se prende, só ele conhece os desejos, só ele corre livre, só ele tem a coragem… só, o pensamento!
Quisera sair na noite, desvendar-lhe os mistérios.
Quisera erguer o Sol, roubar-lhe um pouco de brilho.
Quisera subir a montanha, no seu topo soltar o meu grito.
Quisera adormecer no mar, no seu balouçar deixar-me levar.
Quisera seguir o vento, ao seu lado viajar.
Quisera escutar a voz, que me diz: “ Sai, vai ser feliz”.
Quisera ser indiferente, com coragem… cobardemente.
Quisera se eu, sentir que sou gente.
Quisera… quisera…
Nascer mulher! Nascer limitada. Limitada à sociedade, limitada às opções, limitada às regras.
Ser mãe! Dar à luz mais limites. Limitar-se ao amor, limitar-se às necessidades, limitar-se ao limite.
Ser esposa! O pior dos limites. Limitar a nossa vontade, limitar os nossos passos, limitar os anseios, limitar devaneios. Limitar-nos ao tempo, ao espaço, à “superioridade”. Limitar a lágrima, limitar o sorriso… limitar nosso brilho.
Sinto que o limite me trai. O meu próprio limite, já impõe mais limites.
Queria ser inconsciente! Agir sem pensar. Banalizar meus limites, enriquecer a minha condição, amar, sem amor limitado, optar por um sonho ilimitado.
Limita-me a dignidade!
Limita-me a maternidade!
Limita-me a lealdade!
Mulher… limitada!
23 de Dezembro de 2008
Antónia Serafim
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