quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O que esperar...

O que esperar…

Esperar, que a vida, ou alguém nos surpreenda. Esperar que a solidão se aquiete, que se deite e logo adormeça… que sonhe… que nos esqueça.
Esperar, que o silêncio se cale, que não o escutemos… que seja a nossa voz que fale… que fale, até que, de novo o façamos chegar, através da ternura, do encanto de um beijo.
Esperar, que o tempo pare, aí, onde queremos ficar… que fique connosco, nos deixe sonhar, parados no tempo de amar… e esperar.
Esperar, pela brisa… que nos afague o rosto… dá-lo ao vento, à ventania, para que nos derrube, e depois, com a mesma precisão, nos erga, que nos presenteei com um pouco da sua força, da sua rebeldia… e assim nos faça nascer de novo, acreditar num novo dia.
Esperar, que não nos vença o cansaço, cansado por tanto esperar. E esperar que a cada madrugada, o sol nos venha brindar, que nos aqueça, e junto aos seus raios, nos deixe brilhar… e no seu brilho nos deixe ficar.
Esperar, que a vida nos conforte, que retire do pensamento, a lembrança, as palavras, que falam de morte… que não permita que lamentemos a sorte.
Esperar, que deixemos de fazer de conta, que não sabemos sorrir… que a velhice chegou, que foi quem nos derrubou, quem nos maltratou e, com um sorriso nos lábios, nos abandonou, nos acomodou, num recanto escondido, sem rumo, sem porto de abrigo.
Esperar, que nos perdoe o castigo, que não imponha mais regras, que nos deixe seguir, em paz. Que nos dê tréguas.
Esperar, que nos visite a coragem, de não vivermos à nossa margem. Que nos faça acreditar, que são nossas as armas, que precisamos lutar, e vencer, e sermos vencidos, e viver… e sonhar, e darmo-nos aos sonhos rendidos.
Esperar, que não vivamos à espera, do nosso dia de Primavera.
O que esperar, de quem vive à espera?
O que esperar, de quem se rende à cobardia de esperar por um dia?
O que esperar, de nós, da vida, de quem se entrega rendida?
O que esperar?


22 de Dezembro de 2008
Antónia Serafim

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